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Morena

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segunda-feira, 22 de março de 2010

Amor Natural



A única coisa que desejo com esse meu próximo texto é a vontade de divulgar. Divulgar a inexatidão que o amor pode provocar, mas não esse amor bandido ou interino que anda por ai, que em verdade nem é amor (...) É só a vontade que as pessoas têm de dizer que amam e isso tudo só da boca para fora. Porém não as julgo, porque para muitos o amor ainda é pouco mesmo que venha em doses garrafais!

Apenas desejo simplificar o meu amor. Aquele que é bom e sincero. Meu amor de irmã. Neste momento não me refiro as minhas outras irmãs (três que mal tenho contato e uma que dorme ao meu lado), minha seta vai ao que mais se parece comigo, Lucas. O menino homem que já sabe que lágrimas podem ser de alegria ou de tristeza e que fica preocupado toda vez que vê uma – mesmo que tímida – dançando pelo meu rosto. Esse menino homem que não há muito tempo eu conseguia carregar no colo e agora é ele quem me carrega (não completamente, mas quase!), que quer saber a que horas eu vou chegar em casa, que trás o café da manhã para mim na cama e que o objetivo de vida não parece ser outro que não o de me infernizar a vida, fazendo cócegas e tudo que sua imaginação permitir!

Em muitos momentos eu sinto remorso, pois não soube ser uma irmã mais afetuosa quando Lucas ainda era um bebê. Recordo que uma vez, tentando fazê-lo dormir, dei uma “travesseiradinha” nele (devo ir pro inferno) e em menos de um segundo ele se calou, engoliu os lábios e as demais lagrimas escorreram por naturalidade! Ou quando ele me pedia para ensiná-lo a desenhar e eu não tinha paciência (ele aprendeu sozinho e desenha bem), embora deva admitir que, também, aprendi sozinha, sem uso de técnica ou algo do tipo. Na verdade, fui vendo, com o decorrer do tempo, que de todos os irmãos que tenho, ele é o que mais se parece comigo ou é o que mais influencio! Seu interesse pela musica, pela arte, pela leitura seguem as minhas mesmas linhas, ao menos de inicio, o que já ótimo, pois assim consigo passar um direcionamento para que depois ele opte entre o que acha melhor para si e jogue fora as inutilidades.

Agora que sou mais paciente, tento de alguma forma, corrigir a minha “selvageria” de anos atrás. Deixando ele mais tempo no computador, conversando sobre besteira, levando-o ao cinema, dando aquele trocadinho de vez enquanto. Mas nada disso faço com sacrifício, faço por interesse próprio. Fico bem se estou com ele. Passar algum ou todo o tempo ao seu lado me deixa feliz.

Em geral somos desligados, calmos, pacientes, confidentes, parceiros, ingênuos, ansiosos e confusos, então, amá-lo como irmão (o mais semelhante a mim) é muito fácil. Amor por naturalidade e, talvez, eu tenha descoberto isso assim que o vi pela primeira vez, só que ainda não enxergava. Sinto orgulho e alivio toda vez que ele pega mais um livro emprestado para ler. Orgulho de ele ser um menino bom e esperto e alivio por me convencer de que presto como irmã mais velha. Ah, sim! E por tentar dar um pouco mais de “educação convencional” a ele por brigar quando limpa a sua boca utilizando um pano de enxugar louça!

Queria fazer mais por ele. Dar logo o Playstation que tanto deseja ou um skate melhor, porém não é isso que o faz ficar mais próximo de mim. É apenas o seu amor. Aquele singelo e fácil amor entre a irmã mais velha e o mano que a admira e hoje sei que uma coisa é certa: Lucas é melhor que eu quando tinha sua idade. Ele cuida melhor do Pedro (meu irmão por afinidade) do que eu cuidava dele. Nossa! Pensar em tudo isso me causou nostalgia e um aperto, já que não é fácil admitir assim os nossos erros. E olhar para essa foto só me faz sentir saudade e crer que o bom nasce criança para depois o homem se fazer bom!

P.s: NÃO amo menos meus outros irmãos! Apenas fiz um texto especifico para este.

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