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Morena

Morena

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Tua armadura dura

Dedos incessantes por sabor, não me encontrou? Para que sustentar uma calúnia?
E confundir tudo a sua volta com esse ardor? Dedilha mentira ou talvez seja verdade
És assim... Todo inconstante e ousado. Pode até não parecer, mas até quis mais
Vira a esquerda, trás para frente, engata desconfiado e insolente
Revira do avesso, pega meu revesso, retira do meu corpo suor e calafrios
Sublima em arrepios.

E se não consigo penetrar na tua armadura, passo quente e queimo tudo antes do fim.
Pesado é para mim pezar que fostes assim. Não tema meus medos. Não tenho preconceitos
Enalteça só minhas veias, elas rezam por ti, elas exaltam tua costa, tua armadura dura
Que não me deixou passar.

E se não consigo falar ou pegar tudo que mereço, passo ligeiro e vaporizo tudo antes do fim.
Toque meu lábios e talvez ainda não me deseje. Desejar pouco te sustentou.
E mesmo sabendo do começo quis tentar até o final, e ele acabou nesse endereço
Entre sons vazios.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Não me deixes Pai!

Ele era um menino de apenas dez anos. O que ele sabia sobre a vida? Possivelmente nada ou não muito mais que uma pessoa que tivesse nascido um dia antes. Porém ele vivia com sua irmã, já não tinha mais mãe, avós ou avôs, e restava-lhe ainda o pai. Este, por sua vez, não parava em casa, porque tinha que trabalhar em dois turnos, não que o ‘pai’ se importasse com isso. Não, não se importava. Comprar os remédios do seu filho paralítico não lhe exigia nenhum sacrifício. Sua irmã, também, levava uma vida agitada entre a vida estudantil, domestica e alguns trabalhos eventuais, e o menino vendo tudo aquilo, vendo sua família tão comprometida com a vida, e ele em uma cadeira de rodas sem poder fazer muita coisa, fazia ele voar alto em seus sonhos.

O menino deseja ser um príncipe, pois achava esnobe se intitular rei, mas um príncipe poderia ter um castelo e uma mesa farta para confortar seus entes queridos. Um príncipe é nobre e forte, entretanto aventurei e amável. Sendo um príncipe, o menino poderia dar tudo o que sua família quisesse, ele não seria ‘deficiente’, pois príncipes não o são! Mas como bom menino ele sempre se oferecia a ajudar sua irmã em casa, mesmo que ela negasse sua ajuda. Ele pilotava até a pia e lavava uma louça quando não estivessem olhando ou cobria sua mana com um cobertor quando ela tivesse desmaiado de tanto cansaço. Ele era bom, principalmente, de coração. Sua ‘deficiência’ era ínfima tamanho o seu coração.

Mas a vida levará embora em um dia qualquer, desses nublados, que ninguém percebe, alguém muito especial. Ele desenhava um dos seus contos, enquanto seu pai já não suportava mais a dor. O pai já se encontrava doente há algum tempo, porém com as suas limitações não pôde se cuidar. O pai achava que ia se curar. Momentos antes de sua partida ele ouvirá o menino dizer: “pai, não me deixes... Ainda não te mostrei meu conto” e o pai respondeu: “verei do céu”.

Na rua, sua irmã o levava ao medico, quando ele parou em frente a uma banca de revista e disse: “eu gosto dessa revista! Podemos levar?” sua mana, constrangida e com o coração apertado disse apenas: “não” e ele devolveu a revista ao vendedor, dizendo: “um dia faço uma dessas pro papai ver lá do céu, de lá é mais bonito”. É verdade, um menino assim não sabe muito sobre a vida, porque esta se tornou abominável, sórdida a cada dia, a cada violência, e desumanidade. Pessoas assim não sabem nada sobre a vida!